Hoje recebi um e-mal, falando que se eu mandasse novamente um jornal, com certa noticia, para este certo senhor, ele corria o risco de se preso, mas iria bater num deficiente .
Ele me fez um favor: me deu o gancho de escrever sobre mim mesmo, neste artigo, e me fez outro: acabei descobrindo que uma pessoa, que eu julgava meu amigo, não o era, de fato....
Não me julgo um deficiente, sou apenas um homem com certas limitações de locomoção, que procura superar isso, usando o resto que lhe sobra.
Nasci a 58 anos, na cidade de Cubatão, tempo aquele que mal tínhamos acabado de conquistar autonomia política, e a cidade, começara a engatinhar pelas suas próprias pernas, tentando se manter como município.
O primeiro neto, de uma família já na época, tradicional do município, nascia com problemas, e aos 4 meses, contraia Paralisia Infantil!
Na época, a doença pouco era conhecida fora dos meios médicos! Considerada doença sem cura, e sem recursos, para controle!
Pois foi assim, que na Rua São Paulo, nasceu este cara.... Um sujeito, com uma doença, que ninguém sabia direito de que se tratava, e nem se tinha cura.... Pois bem: Cubatão assim, entrava no mapa.... Tinha já um caso de Poliomielite, dentro de seu território...
Tive uma infância normal, para meus problemas de locomoção...Não podia correr? Engatinhava... Não jogava bola, mas era o dono da única bola de capão, na rua.... Com seis anos, meu avô me deu uma...
Na época que nasci, Cubatão era outra cidade.... Todos se conhecia, e todos sabiam tudo, de todos... E foi assim, que o tempo tratou de me fazer feliz... Tratou o tempo, de me fazer esquecer o meu problema físico, e viver em plenitude a vida que deus me dera.
Era um tempo de mudanças... E dentro disto, chequei ao tempo de colégio, mas como? Como uma cidade ainda engatinhando, vai poder por um aluno com problemas, no seu único colégio? Como garantir a segurança deste aluno? Como ele iria sozinho ao banheiro? Teria que Ter ajuda? Claro que ouve problemas, e acabei arrumando confusão ( alias, venho arrumando esta coisa, a muitos anos.... )
E ai, o que fazer? O menino já esta com quase 11 para 12 anos.... Como fazer ele apreender a ler, pelo menos? Meus pais, então, souberam de uma escola especial, existente em Santos, que só tinha em seus quadros de alunos, crianças com problemas de locomoção, e a pequena família, pai mãe, irmão, e o dito cujo ( eu no caso) mudou-se para Santos. Choradeira dos vizinhos, quando começou o preparar da mudança... choradeira de vó, que não queria ver o neto longe.... Mas la fomos nos, morar na Cidade Grande.... Íamos para Santos... e eu, com quase 11 anos, já, ia para uma escola... Uma escola, que eu podia freqüentar... A Escolinha Nossa Senhora de Lurdes, que funcionava em anexo a Santa Casa de Misericórdia, onde hoje esta o Pronto Socorro Central.
Nova vida, nova cidade, mas sempre a ligação com Cubatão.... Primeiro emprego? Em Cubatão! Primeira namorada? Uma Cubatense.... E assim foi passando a vida... Morando em Santos, mas vivendo em Cubatão..
Em 1982 entro para a Câmara Municipal de Cubatão, durante a administração de Maria Aparecida Pieruzzi de Sousa, como Presidente... Com a ajuda dela, fundamos a Associação Cubatense em Defesa dos Direitos das Pessoas Deficientes, entidade que ate hoje existe no município, em prédio próprio, à frente do Cemitério Municipal!
Em 1965, passo para a Prefeitura.... Em 1991, tomo um tombo, este com conseqüências, e vou para a Cadeira de rodas, pois ate então usava as famosas de mui amadas Bengalas Canadenses, mas depois do tombo, fico proibido de as usar....
Dois anos depois, como manda a lei, sou aposentado, e daí? O que fazer?
Como Este jornal, já existia em papel, remetido por mim, para seus leitores, por correio, resolvo ir pra Minas, pois a minha esposa, na época, era de lá...
Em Minas, fundo alguns jornais, mas... como tudo que vai vem, não é permanente, três anos e pouco depois, volto para Santos, divorciado e sem meus jornais, que ficam em Minas...
Para ter algo para fazer, alem de coçar o ( vamos deixar pra lá o detalhe do que coçaria) uni a internet, e um jornal, que mantinha a anos, em papel, e surgir O Anacoluto.
Paralelo a tudo que fazia e faço, escrevo. Contos, romances, poesias, e em 2008 a Câmara Municipal de Cubatão, me concede a hora de receber a maior comenda que o município da a seus filhos: A Medalha Afonso Schmidt!!!
Voltava eu a uma das minhas casas,. A Câmara Municipal , não mais como funcionário, mas agora como um dos homenageados!!!!
Uma emoção imensa.... Um momento único... A primeira vitima de poliomielite, do município, por atividades culturais, recebe a mais alta honraria municipal!!!
A emoção, ao final, me faz quebrar protocolo, e dar um beijo na mestre do cerimonial, minha amiga a Poetisa Rosemeyre de França Abreu.
Como dar algo, a Cubatão, para retribuir tudo?
Nasce a idéia de O Anacoluto Cubatão, um jornal ligado ao Anacoluto Online, mas com um diferencial.... Remetido ele é em corpo de e-mal, e distribuído gratuitamente para os micros das pessoas.
A circulação, que era no inicio, pouco mais de 100 e-mal, por edição, hoje já chega a 23.000 por cada edição do jornal!
Diante disto, a quem assinou aquele e0mal, que ameaça espancar um deficiente, aviso que esta ele errado....
Não sou o deficiente, que mencionas.... Sou um editor de Jornal, amigo.... Com limites de locomoção, mas com algo a te ensinas, com respeito a honra, dignidade, brio, postura e respeito.
Posso ser classificado sim, como um Deficiente, mas não me considero como tal, pois tenho algo que você não sabe bem o que é, para ter escrito o que escreveu....
Respeito das pessoas, senhor, não se impõe com palavras impensadas, colocadas num e-mal...
Ou se conquista, com o tempo e com ações, ou nunca chega a se receber de ninguém!!!!
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Carlos Alberto Lopes